A REVELAÇÃO DOS ARQUIVOS UAP LEVANTA MAIS QUESTIONAMENTOS DO QUE APRESENTA RESPOSTAS.

O quarto capítulo da desclassificação de documentos do programa PURSUE deixou a sensação de que ainda há provas a serem reveladas ao público.

O Congresso dos EUA aprova um orçamento temporário e evita uma paralisação do governo.
O Congresso dos EUA, a razão

Em 10 de julho, o governo Trump, por meio do Departamento de Defesa, divulgou a quarta leva de documentos sobre fenômenos anômalos não identificados (UAPs, na sigla em inglês) no âmbito do programa PURSUE (Sistema Presidencial de Divulgação e Relato de Encontros com UAPs). O pacote inclui quarenta arquivos: quatorze documentos datados entre 1948 e 2020, dezenove vídeos capturados por sensores militares, quatro gravações de áudio e três fotografias. A documentação provém de diversas agências federais, incluindo a NASA, a CIA, o FBI e o Departamento de Energia, agências com responsabilidades que vão desde a vigilância espacial até a proteção do arsenal nuclear dos EUA.

O “fantasma sombrio” do Atlântico

O material que gerou mais repercussão desde seu lançamento é um vídeo que a mídia americana apelidou de “o fantasma sombrio”, devido à silhueta peculiar do objeto. A gravação foi feita em janeiro de 2020 usando um sensor infravermelho instalado em uma plataforma militar americana e está catalogada sob a referência DOW-UAP-PR116

O relatório que acompanha o vídeo, preparado pelo Comando Norte dos EUA (NORTHCOM) e posteriormente submetido ao Escritório de Resolução de Anomalias em Todos os Domínios (AARO), descreve um objeto marrom escuro, estimado entre 3,5 e 4,5 metros de altura. Segundo analistas, ele se move com o vento, não muda de direção e seu comportamento é consistente com o de um grande balão deformado por correntes atmosféricas.

Esse detalhe é particularmente impressionante. O objeto não acelera, não realiza manobras impossíveis nem exibe nenhum dos comportamentos tipicamente associados a tecnologias extraordinárias. Mesmo assim, permanece classificado como “não identificado”. A questão que inevitavelmente surge é: se os próprios analistas consideram plausível que seja um balão, por que o caso ainda está em aberto? Ao mesmo tempo, a morfologia observada também não parece corresponder à de um balão convencional.

A controvérsia em torno da imagem comparativa

A discussão rapidamente migrou para o ponto X, onde a conta @TheLastHopeUSA compartilhou uma imagem comparativa atribuída ao usuário @patrickriitaaho. A imagem mostrava um grande balão cor de vinho, com entre três e cinco metros de diâmetro, flutuando passivamente ao sabor do vento.

No entanto, essa reconstrução também gerou controvérsia. Vários usuários argumentam que a imagem foi criada usando inteligência artificial e não representa um modelo de balão existente, mas sim uma ilustração elaborada para reforçar uma explicação convencional contra aqueles que defendem uma origem não humana para o objeto.

A sensação deixada por esta quarta parte é semelhante à das anteriores: o material sugestivo é abundante, mas as provas conclusivas são escassas. Essa mesma impressão foi compartilhada pelo jornalista da NewsNation, Ross Coulthart, que resumiu sua avaliação da seguinte forma: “O quarto lote de arquivos sobre OVNIs e UAPs é mais do mesmo. Dados verdadeiramente convincentes permanecem inéditos. As melhores imagens de alta resolução continuam sendo retidas.”

A mudança de discurso de Avi Loeb


Um dos aspectos mais marcantes é a mudança na retórica do astrônomo Avi Loeb. Desde que anunciou sua nomeação para o Conselho Consultivo Científico sobre UAPs (Fenômenos Aéreos Não Identificados), apoiado pela Casa Branca, seu discurso parece ter se moderado consideravelmente.

Nos últimos anos, Loeb defendeu publicamente hipóteses muito distantes do consenso científico, chegando a sugerir que objetos como ‘Oumuamua ou o cometa interestelar 3I/ATLAS poderiam corresponder a tecnologia de origem não humana. Ele também promoveu expedições para recuperar esférulas de um meteorito na esperança de encontrar materiais artificiais.

Agora, porém, sua avaliação da versão 04 é visivelmente mais favorável.

Em uma postagem em seu blog no Medium, Loeb confirma a composição do lote — três fotografias da NASA, quatorze documentos históricos, dezenove vídeos militares e quatro gravações de áudio — e argumenta que esses dados devem ser analisados ​​sem que se conheça inicialmente sua origem exata, com o único objetivo de determinar se contêm fenômenos verdadeiramente anômalos. “Essa é a diferença entre especulação e ciência”, afirma ele.

Essa mudança de abordagem levanta algumas questões. Será que reflete simplesmente uma maior cautela científica ou uma integração às estruturas institucionais agora responsáveis ​​pela gestão das informações sobre UAPs (Fenômenos Aéreos Não Identificados)?

Em contrapartida, declarações recentes do administrador da NASA, Jared Isaacman, que reconheceu em entrevista à Fox News que a agência possui imagens de fenômenos que ainda não conseguiu explicar, contradizem mensagens anteriores da própria NASA, que insistia na ausência de casos particularmente relevantes.

Imagens ampliadas do objeto capturadas pela missão STS-80

Entre os documentos publicados, destaca-se também um caso da missão STS-80 do ônibus espacial Columbia, realizada entre 19 de novembro e 7 de dezembro de 1996.

Durante essa missão, a tripulação obteve três fotografias de um objeto não identificado em órbita baixa da Terra. Na segunda imagem, o objeto aparece próximo ao centro do quadro, ao lado da borda da Terra, mostrando uma orientação diferente em comparação com a primeira fotografia, como se tivesse girado lentamente em torno de seu próprio eixo comportamento consistente com um objeto flutuando livremente no espaço sem propulsão aparente.

“Três décadas depois, a NASA ainda não ofereceu uma explicação definitiva”.

Loeb levanta uma possibilidade convencional: poderia ser simplesmente um pedaço de detrito espacial, mais um entre os milhares de objetos artificiais que orbitam a Terra. No entanto, essa interpretação permanece uma hipótese, não uma conclusão confirmada.

A questão é inevitável. A NASA possui os negativos originais, conhece o contexto orbital preciso das imagens e detém catálogos abrangentes de detritos espaciais em órbita. Se o objeto permanecer oficialmente não identificado, é preciso questionar se ele pode, de fato, ser associado a algum desses objetos conhecidos.

O encontro secreto em Los Alamos


Talvez o documento mais interessante de toda a coleção seja a transcrição completa de uma palestra realizada em fevereiro de 1949 no Laboratório Nacional de Los Alamos, no Novo México.

Documento da reunião de Los Alamos em 1949 créditos: Espaço Misterioso

A reunião foi convocada por Edward Teller, considerado o pai da bomba de hidrogênio e uma das figuras centrais do Projeto Manhattan, para analisar as chamadas “bolas de fogo verdes”, observadas repetidamente nas proximidades das instalações nucleares americanas.

Entre os presentes estavam representantes do Exército, do FBI, da Comissão de Energia Atômica, da Universidade do Novo México e cientistas do próprio laboratório de Los Alamos. Um deles era Fred Reines, que décadas depois ganharia o Prêmio Nobel de Física.

Durante a conferência, o astrônomo Lincoln LaPaz, especialista em meteoritos, comparou os avistamentos com entradas atmosféricas conhecidas e destacou o caso de Starvation Peak, descrevendo-o como um clarão amarelo-esverdeado, com duração de apenas dois segundos e trajetória praticamente horizontal.

Esse detalhe chamou particularmente a atenção dos participantes. Os meteoritos podem apresentar trajetórias muito variadas da perspectiva do observador, mas um movimento aparentemente horizontal e contínuo era difícil de conciliar com os modelos conhecidos na época.

Os documentos agora desclassificados revelam que a reunião terminou sem consenso. A possibilidade de uma entrada atmosférica em baixa altitude foi considerada, embora nunca tenha sido aceita como a explicação definitiva. Foi Norris Bradbury, então diretor do laboratório, quem encerrou a sessão, admitindo que tanto o silêncio das bolas de fogo quanto suas trajetórias ainda careciam de uma explicação satisfatória.

Setenta e sete anos depois, essas observações continuam sendo um dos episódios históricos mais enigmáticos relacionados às instalações nucleares dos EUA.

O que não aconteceu no dia 8 de julho


No início do ano, o cineasta britânico Mark Christopher Lee afirmou que Donald Trump estava preparando um anúncio para 8 de julho de 2026, coincidindo com o aniversário do incidente de Roswell. No entanto, não houve qualquer aparição ou declaração oficial da Casa Branca.

Além disso, as expectativas não surgiram apenas na mídia especializada. Semanas antes, a congressista Anna Paulina Luna havia declarado publicamente que “o fenômeno é real” e insinuado que outras revelações significativas estavam por vir.

Por enquanto, esse salto qualitativo ainda não se materializou.

Existe uma diferença cada vez mais evidente entre o discurso ouvido nas audiências do Congresso — onde se fala em programas secretos, recuperação de materiais e até insinuações sobre inteligência não humana — e o conteúdo real das sucessivas publicações oficiais, compostas principalmente por vídeos de baixa resolução, documentos históricos e casos em aberto cuja interpretação permanece ambígua.

Após quatro entregas, nenhum documento foi apresentado que corrobore com provas conclusivas as alegações mais contundentes feitas no Capitólio.

A questão permanece. É possível que esse material extraordinário exista e continue classificado, como afirma Ross Coulthart. Também é possível que o próprio processo de desclassificação — fragmentado entre diferentes agências, atrasado e repleto de trechos censurados — jamais corresponda às expectativas geradas nos últimos meses.

Seja qual for a explicação, uma conclusão é difícil de evitar. Se a próxima versão do Relatório 05 apresentar novamente documentos interessantes, porém insuficientes para sustentar as principais alegações feitas até agora, o debate não se concentrará mais apenas na transparência das agências. Começará também a afetar a credibilidade daqueles que vêm anunciando há meses uma revelação histórica, uma revelação que, pelo menos por enquanto, ainda não se concretizou.

Fonte: Larazon

C. Andrade

Ufólogo, Pesquisador de Campo, Conselheiro e Co-editor do CIFE - Canal Informativo de Fontes/Fenômenos Extraterrestres e Espaciais - Scientific Channel of UFOs Phenomena & Space Research. | Ufologist, Field Investigator, CIFE Co-editor - Scientific Channel of UFOs Phenomena & Space Research.

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