DOCUMENTOS LIBERADOS DA CIA CONFIRMAM CASOS UFOLÓGICOS NO PERU
Na base militar de La Joya, em Arequipa, o tenente da Força Aérea Peruana (FAP) Óscar Santa María Huertas é apontado como o único ser humano que disparou contra um OVNI, em 11 de abril de 1980. O caso consta em arquivos tornados públicos nos Estados Unidos.
Marcahuasi (marka wasi) é um planalto da Cordilheira dos Andes localizado a leste de Lima, no Peru, sobre a cadeia montanhosa que se eleva na margem direita do rio Rímac. Essa formação domina toda a paisagem a cerca de 4.000 metros de altitude.
Trata-se de um planalto de origem vulcânica, com aproximadamente 4 km² de extensão, situado a quase 4.000 metros acima do nível do mar, nas regiões elevadas de Huarochirí, a leste da cidade de Lima. Ali encontra-se um singular conjunto de gigantescas rochas de granito cuja origem é objeto de diferentes teorias.
Os mais pragmáticos afirmam que essas rochas são resultado da ação da natureza sobre enormes blocos de diorito, esculpidos pela erosão provocada pelo vento e pela chuva ao longo de milênios.
É possível que tenham se formado a partir do degelo associado a um processo de erosão glacial. A região pode ter sido coberta por neve tanto durante a Era do Gelo quanto na chamada Pequena Idade do Gelo. Durante o período do Vice-Reino do Peru havia gelo nas proximidades da cidade de Lima. Crônicas coloniais relatam que a população consumia raspadinhas feitas com gelo natural e que, da própria cidade, era possível avistar montanhas nevadas. Há inclusive uma pintura de Cyrenius Hall, no Museu de Arte de Lima, mostrando o vale do rio Rímac com montanhas cobertas de neve ao fundo.
Nas formações rochosas surgiram formas e desenhos curiosos, batizados pelos exploradores de acordo com a aparência que apresentam — algumas vezes exigindo bastante imaginação. Entre eles estão o conhecido “Monumento à Humanidade”, uma gigantesca formação de granito que, observada de diferentes ângulos, permite visualizar um nítido perfil humano; a deusa Thueris; a Anfichelidia, considerada uma precursora da tartaruga; o Vale das Focas; o Leão Africano; a vicunha; o sapo, entre outros.
Outros visitantes mais aventureiros seguem até a “Fortaleza”, o ponto mais elevado do planalto, onde existe um monólito semelhante a um enorme altar de pedra. Chullpas, terraços e numerosas construções de origem pré-hispânica testemunham a presença humana na região há muitos séculos.
Diz-se que Marcahuasi possui um importante campo magnético ou que constitui um ponto estratégico para a observação de OVNIs. O que é certo, entretanto, é que o local possui uma paisagem impressionante.
Chulucanas e o Cerro Pilán
O incidente OVNI de Chulucanas refere-se a uma série de avistamentos anômalos documentados a partir de 2001 nessa província de Piura. O epicentro dos fenômenos seria o místico Cerro Pilán, região onde diversos pesquisadores registraram luzes realizando movimentos incomuns no céu.
No início dos anos 2000, moradores da região começaram a relatar a presença recorrente de esferas luminosas e objetos voadores não identificados. Esses objetos costumavam aparecer durante a noite sobre o Cerro Pilán, um maciço andino situado próximo à cidade, e desciam em direção às áreas agrícolas.
O Cerro Pilán, também conhecido como “Cerro Brujo”, é considerado a primeira maravilha do distrito de Morropón. O lugar é famoso por suas lendas, por seu formato e porque seus habitantes afirmam que a montanha guarda tesouros de seus antepassados. Assim como o Cerro Vicús, está inserido em uma antiga tradição mitológica por ter feito parte da geografia sagrada dos chamados “gentios”, isto é, dos povos indígenas pré-hispânicos.
Entre os episódios mais importantes relacionados aos fenômenos aéreos anômalos e aos OVNIs no Peru encontra-se o extraordinário caso ocorrido em Chulucanas, que ficou conhecido como “Incidente de Chulucanas”.
Em 2001, o distrito, localizado no departamento de Piura, tornou-se cenário de acontecimentos curiosos e ainda inexplicados. Foram registrados diversos avistamentos de estranhos objetos luminosos cruzando os céus, alguns deles documentados e filmados por pesquisadores peruanos e por jornalistas internacionais da rede Univisión.

Em 13 de outubro de 2001, enquanto centenas de pessoas estavam nas ruas participando da procissão do Senhor Cativo de Ayabaca, uma tradição religiosa peruana, ocorreu nos céus de Piura um avistamento sem precedentes naquela região: oito objetos luminosos permaneceram flutuando silenciosamente.
Segundo vídeos e diversos testemunhos de pessoas presentes, os objetos realizavam movimentos que, segundo os relatos, nenhuma aeronave terrestre seria capaz de executar. Em alguns momentos deslocavam-se em zigue-zague e, em outros, descreviam formas que davam a impressão de que tentavam escrever alguma coisa no céu. Para as testemunhas, o comportamento parecia indicar algum tipo de inteligência.
O artigo também relata que, em 25 de fevereiro de 2001, testemunhas em um vale de Chulucanas afirmaram ter observado objetos que aparentemente pousaram em um campo próximo. O episódio é apresentado como o primeiro caso documentado de pouso de OVNI em território peruano.
Mais tarde, em 15 de novembro daquele mesmo ano, ocorreu outro avistamento considerado extraordinário, quando várias testemunhas entraram em pânico ao observar uma grande luz atravessando o céu.
Existem ainda diversos testemunhos atribuídos a pilotos da Força Aérea Peruana que afirmam ter presenciado, na região de Chulucanas, objetos de dimensões gigantescas cruzando o céu.
Um dos relatos mais impressionantes teria ocorrido nas proximidades do Cerro Pilán. Um piloto, voando a aproximadamente 12 mil pés de altitude, afirmou ter observado um gigantesco círculo de fogo cujas bordas emitiam uma luminosidade vermelho-alaranjada. Segundo o relato, a estrutura teria entre 15 e 25 quilômetros de extensão.
O incidente OVNI de La Joya
O incidente OVNI de La Joya é o nome dado a uma série de acontecimentos envolvendo o avistamento e o confronto entre um objeto voador não identificado e uma aeronave militar da Força Aérea Peruana na Base Aérea de La Joya, em Arequipa, em 11 de abril de 1980.
O então piloto da Força Aérea Peruana Óscar Santa María Huertas tinha 23 anos e era tenente quando recebeu a missão de interceptar o objeto.

Segundo o relato apresentado no artigo, Santa María seria o único ser humano conhecido a ter disparado contra um OVNI.
A perseguição teria durado aproximadamente 22 minutos e sido testemunhada por centenas de pessoas enquanto Santa María pilotava um caça Sukhoi Su-22 sobre os céus do departamento de Arequipa, no sul do Peru.
O combate com um OVNI
Cerca de 1.800 pessoas que se encontravam na base naquele dia teriam observado no céu um objeto não identificado, semelhante a um balão, permanecendo estacionário a aproximadamente 500 metros do solo.
Os militares inicialmente imaginaram que poderia se tratar de um dispositivo de espionagem. Santa María recebeu então a missão de investigar se o objeto representava algum tipo de ameaça.
O episódio ocorreu por volta das 7h15 da manhã de 11 de abril de 1980. O piloto recebeu ordens para assumir seu caça Sukhoi Su-22, considerado uma aeronave tecnologicamente avançada para a época, e derrubar o objeto voador não identificado.
Santa María descreveu o objeto como completamente esférico. A parte superior lembraria porcelana de cor creme, enquanto a base seria larga, arredondada e de aparência metálica acinzentada, semelhante a um cinzeiro. Segundo ele, o objeto tinha aproximadamente dez metros de diâmetro.
O objeto encontrava-se sobre a Base Militar Mariano Melgar de La Joya, em Arequipa, e havia a preocupação de que pudesse estar realizando atividades de inteligência.

Santa María relatou que se dirigiu imediatamente ao caça sem tirar os olhos do objeto, enquanto revisava mentalmente os procedimentos da missão. Como o alvo estava dentro do perímetro da base e sua aeronave estava armada, decidiu realizar o ataque de modo a reduzir o risco de atingir as instalações militares.
Após decolar, ganhou altitude e posicionou-se para o ataque. Quando atingiu a distância considerada adequada, disparou uma rajada de 64 projéteis de 30 mm.
Segundo seu relato, aquele tipo de disparo criaria uma espécie de cone de fogo capaz de destruir praticamente qualquer coisa em seu caminho.
Parte dos projéteis teria errado o alvo e atingido o solo, enquanto outros teriam acertado diretamente o objeto.
Santa María esperava que o suposto “balão” se rompesse ou liberasse gases de seu interior. Nada aconteceu.
Segundo o piloto, parecia que os projéteis haviam sido absorvidos pelo objeto, que permaneceu aparentemente intacto.
Logo depois, o objeto começou a subir rapidamente e afastou-se da base.
Os projéteis não destruíram o OVNI
Os efeitos daquele armamento eram considerados devastadores, e seria esperado que um alvo atingido sofresse danos significativos. Entretanto, segundo o relato de Santa María, isso não ocorreu.
Durante a perseguição, que teria durado cerca de 25 minutos, o piloto afirmou ter tido a impressão de que o objeto antecipava as manobras que ele realizaria com o caça.

Em determinado momento, o OVNI teria alcançado aproximadamente 950 km/h, afastando-se até cerca de 84 quilômetros da base e chegando a aproximadamente 19.200 metros de altitude.
Então teria parado subitamente, obrigando Santa María a realizar uma manobra evasiva para evitar uma colisão.
O ex-militar afirmou que, sempre que conseguia posicionar o objeto na mira para realizar um novo disparo, ele começava a subir, interrompendo sua manobra de ataque.
“O objeto se afastava rapidamente e subia ao mesmo tempo. Depois, parou abruptamente e tive que fazer manobras para não colidir com ele”, declarou posteriormente ao History Channel.
Quando conseguiu aproximar-se a cerca de cem metros, Santa María afirmou ter observado o objeto com mais detalhes.
Segundo sua descrição, apresentava superfície arredondada e prateada, com aproximadamente dez metros de diâmetro, uma espécie de cúpula de cor creme na parte superior e uma base larga metálica altamente reflexiva.
O piloto destacou ainda aquilo que não conseguiu observar: não havia tubos de escape, o objeto não girava, não possuía janelas, rebites ou qualquer sistema visível de propulsão.
Enquanto a perseguição ocorria, Santa María afirmou que as telas de radar do Exército mostravam apenas sua aeronave. O OVNI não aparecia no radar, embora os operadores supostamente conseguissem observá-lo visualmente como um grande objeto luminoso no céu.
Sem combustível suficiente para continuar a perseguição, Óscar Santa María retornou à base.
O episódio tornou-se um dos casos mais conhecidos da história dos avistamentos de objetos voadores não identificados no Peru.
Segundo o artigo, o episódio permaneceu sob sigilo durante anos por determinação das Forças Armadas peruanas. Somente posteriormente tornou-se conhecido internacionalmente e passou a ser discutido pela comunidade interessada no estudo do fenômeno OVNI.
O aspecto curioso da divulgação desses documentos é que, segundo o texto, a desclassificação não teria partido das Forças Armadas do Peru. As informações teriam sido tornadas públicas pelos Estados Unidos por meio de documentos de defesa divulgados nos anos 2000.
Com o fim da confidencialidade, Santa María teria recebido autorização para relatar publicamente aquilo que afirmou ter vivido durante o confronto.
Investigações e conclusões
Segundo especialistas em aviação apresentados pelo History Channel, nenhuma aeronave conhecida seria capaz de partir de uma posição estacionária e alcançar instantaneamente velocidades supersônicas.
De acordo com Santa María, o objeto desconhecido interrompeu suas manobras de ataque três vezes, executando movimentos que ele comparou aos de um piloto de combate.
Depois de aproximadamente 22 minutos de perseguição, o caça teria atingido seus limites operacionais e Santa María encerrou a interceptação.
A reportagem do History Channel também apresentou um documento do Departamento de Defesa dos Estados Unidos intitulado “UFO Sighted in Peru” (“OVNI avistado no Peru”), relacionado ao encontro de Santa María e à tentativa de atingir o objeto.
Segundo o artigo, as informações sobre o incidente teriam sido encaminhadas à Agência Central de Inteligência (CIA), ao Departamento de Estado e à Agência de Segurança Nacional (NSA).
Em 2003, foi criado no Peru um escritório dedicado à investigação de fenômenos aéreos, que acabou sendo fechado pouco tempo depois.
Em 18 de outubro de 2013, entretanto, a Força Aérea do Peru decidiu reabrir o Departamento de Investigação de Fenômenos Aéreos Anômalos (DIFAA), com o objetivo de investigar ocorrências anômalas no espaço aéreo peruano e possíveis interferências na segurança e nas operações aéreas.
Luzes no céu
Excursionistas, guias e moradores da comunidade de San Pedro de Casta relatam, ao longo dos anos, avistamentos de objetos luminosos realizando movimentos erráticos e mudanças abruptas de direção no céu de Marcahuasi.
Um dos relatos mais conhecidos envolve Moisés Bautista, ex-presidente da comunidade, que afirmou ter vivido um encontro próximo durante a madrugada de agosto de 1963.
Além disso, grupos ufológicos organizam frequentemente acampamentos e “vigílias” durante períodos de lua nova e solstícios na tentativa de registrar esses fenômenos.

O mistério também foi alimentado por fotografias realizadas no planalto.
Existem relatos de viajantes que, depois de fotografar a paisagem com antigas câmeras analógicas, descobriram, ao revelar os filmes, a presença de estranhas estruturas semelhantes a discos ou silhuetas humanoides difusas no céu — elementos que não teriam sido percebidos a olho nu no momento em que as fotografias foram tiradas.
Um dos episódios mais recentes mencionados envolve o fotógrafo Juan Puelles, que registrou uma misteriosa figura conhecida como “O Gigante de Marcahuasi” durante uma visita ao planalto.
Embora a figura não tenha sido identificada com certeza, o registro provocou especulações sobre a possibilidade de se tratar de um fenômeno óptico da câmera ou, segundo interpretações mais especulativas, de uma manifestação relacionada aos seres presentes na mitologia local.
Avistamentos extraterrestres
Os relatos envolvendo o chamado “Altar dos Deuses” incluem observações de luzes brilhantes executando movimentos erráticos ou aparentemente impossíveis, além de testemunhos clássicos de encontros com supostas entidades não humanas.
Durante períodos de lua nova e solstícios, grupos esotéricos organizam expedições a locais estratégicos, como Portachuelo e o Anfiteatro, para realizar observações do céu.
Diversos visitantes também afirmam ter registrado objetos voadores estranhos ou luzes desconhecidas ao revisar suas fotografias.
A comunidade local e os guias de San Pedro de Casta frequentemente relacionam essas anomalias à suposta energia mística da região e às gigantescas formações rochosas, que alguns pesquisadores, como Daniel Ruzo, associaram a antigas civilizações.
O chamado “incidente OVNI de Marcahuasi”, entretanto, não corresponde a um único acontecimento oficial.
Na realidade, trata-se de um conjunto de testemunhos, lendas locais, fotografias e expedições ufológicas acumulados ao longo das décadas.
Localizado a cerca de 4.000 metros de altitude, na província de Huarochirí, o planalto de Marcahuasi tornou-se um dos principais destinos associados ao turismo ufológico no Peru, alimentado por seus céus, suas monumentais formações rochosas e pelas histórias de fenômenos luminosos e objetos não identificados que continuam cercando a região de mistério.
Mantive as alegações como alegações do artigo — especialmente números, interpretações sobre desempenho do objeto e referências a “extraterrestres” — sem transformá-las em fatos comprovados.
Dos céus de Marcahuasi às ocorrências de Chulucanas, passando pelo extraordinário confronto de La Joya, o Peru construiu ao longo das décadas uma história ufológica marcada por relatos de civis, militares e pilotos. São episódios de naturezas distintas, com diferentes níveis de documentação e evidência, mas que compartilham uma característica fundamental: continuam despertando perguntas para as quais ainda não existem respostas definitivas.
O caso de La Joya ocupa um lugar especial nesse cenário. Independentemente das interpretações construídas posteriormente em torno do episódio, permanece o relato de um piloto militar que recebeu ordens para interceptar um objeto desconhecido e que afirmou ter disparado contra ele sem conseguir destruí-lo. O fato de o incidente ter aparecido em documentação governamental norte-americana acrescentou uma dimensão histórica e documental a uma ocorrência que, durante muito tempo, permaneceu praticamente desconhecida fora dos círculos especializados.
Marcahuasi e Chulucanas apresentam um quadro diferente. Nesses locais, testemunhos, registros fotográficos, tradições locais e investigações ufológicas acabaram se misturando ao longo dos anos, tornando ainda mais difícil separar aquilo que pode ser demonstrado daquilo que pertence ao terreno da interpretação, da crença ou da especulação.
E talvez seja justamente aí que esteja o aspecto mais fascinante dessa história.
O Peru não precisa de lendas para tornar seus OVNIs interessantes. Os documentos, os testemunhos militares e os casos que permanecem sem explicação já são suficientes para deixar uma pergunta no ar: afinal, o que estava — e talvez ainda esteja — cruzando os céus peruanos?

