A IA ENCONTRARÁ OS EXTRATERRESTRES?
Uma das maiores referências mundiais na procura por sinais de civilizações alienígenas afirma que sim!
A inteligência artificial (IA) deve se tornar uma das principais ferramentas na busca por vida extraterrestre nos próximos anos. A avaliação é de Jill Tarter, fundadora do Instituto SETI (Search for Extraterrestrial Intelligence) e uma das maiores referências mundiais na procura por sinais de civilizações alienígenas.

Durante participação no Rio Innovation Week, no dia 4 de agosto, a cientista afirmou que a nova geração de telescópios do instituto já está sendo preparada para operar com sistemas baseados em IA, capazes de decidir automaticamente para onde apontar os equipamentos e quais dados coletar, de acordo com as descobertas científicas mais recentes.
Segundo Tarter, a Inteligência artificial geral (IAG) também deverá desempenhar um papel essencial no processamento do enorme volume de informações captadas pelos radiotelescópios.
“Estamos substituindo pelo primeiro telescópio agêntico, de forma que o apontamento e a coleta de dados serão decididos por uma máquina e auxiliados pelas informações mais recentes, de acordo com o nosso entendimento do que a ciência está fazendo”, afirmou.
IA será parceira, não substituta dos cientistas
Embora o avanço da inteligência artificial desperte debates sobre seus possíveis riscos e impactos para a humanidade, Jill Tarter acredita que essa tecnologia não substituirá os pesquisadores, mas se tornará uma poderosa aliada na busca por respostas sobre o Universo.
Segundo a astrônoma, as máquinas poderão realizar tarefas extremamente complexas, como analisar volumes gigantescos de dados e identificar padrões que passariam despercebidos pelos seres humanos. No entanto, a criatividade, a curiosidade e a capacidade de formular novas perguntas continuarão sendo características exclusivamente humanas.
“Eu acho que as máquinas vão entender que são os humanos que tornam o mundo interessante“, afirmou.

Aos 82 anos, Tarter dedica mais de cinco décadas à procura por sinais de inteligência extraterrestre. Fundadora e primeira funcionária do Instituto SETI, criado em 1984, ela se tornou uma das maiores referências mundiais na busca por vida inteligente fora da Terra. Sua trajetória inspirou a personagem Ellie Arroway, interpretada por Jodie Foster no filme Contato (1997), baseado no romance do astrônomo Carl Sagan.
Por que ainda não encontramos extraterrestres?
Para Jill Tarter, a ausência de uma confirmação sobre a existência de civilizações extraterrestres não significa necessariamente que elas não existam. O maior obstáculo, segundo ela, é que a humanidade ainda não sabe exatamente o que procurar.
A pesquisadora explica que os cientistas desconhecem como uma civilização alienígena poderia transmitir informações ou quais sinais seriam produzidos por uma tecnologia completamente diferente da nossa. Em outras palavras, talvez estejamos procurando da maneira errada.
Para ilustrar esse desafio, Tarter compara a busca por inteligência extraterrestre às tentativas de compreender as formas de comunicação de golfinhos, primatas e aves aqui na Terra. Mesmo compartilhando o mesmo planeta, ainda estamos longe de decifrar completamente essas linguagens. Com uma civilização situada a anos-luz de distância, o desafio se torna incomparavelmente maior.
Outro fator decisivo é a imensidão da Via Láctea. Nossa galáxia abriga centenas de bilhões de estrelas, tornando praticamente impossível investigar cada uma delas com a tecnologia disponível atualmente.

“Se quisermos examinar uma parcela significativa das dezenas de milhões ou centenas de milhões de estrelas da Via Láctea, precisaremos não apenas de telescópios maiores, mas também de transmissores muito mais potentes do que qualquer um já construído na Terra“, explicou.
Para Tarter, os avanços tecnológicos das próximas décadas — especialmente nas áreas da inteligência artificial, processamento de dados, computação e radiotelescópios — serão fundamentais para ampliar a capacidade da humanidade de explorar o cosmos e, quem sabe, finalmente responder uma das maiores perguntas da história: estamos realmente sozinhos no Universo?
Fonte: Olhar Digital

