ARQUIVOS DO CÉU: FIZEMOS 5 PERGUNTAS AOS CRIADORES DA SÉRIE QUE ESTÁ AGITANDO A UFOLOGIA BRASILEIRA

Conheça os bastidores da produção do Globoplay em uma entrevista exclusiva com o diretor Caio Cavechini e a roteirista Mayara Teixeira. Descubra os desafios, as surpresas e as histórias por trás de um dos documentários mais comentados da ufologia nacional

Lançada em 29 de outubro, a série documental Arquivos do Céu, do Globoplay, representa um importante momento para a divulgação da ufologia brasileira. Produzida pelo Jornalismo da Globo, a obra reúne cinco episódios dedicados a acontecimentos que marcaram a história dos objetos voadores não identificados no país, combinando depoimentos de testemunhas, documentos oficiais, imagens históricas e análises de especialistas. Com narração do cantor Lulu Santos e direção de Eliane Scardovelli e Caio Cavechini, a produção procura aproximar o grande público de histórias que, décadas depois, continuam despertando perguntas e controvérsias.

Entre os episódios investigados estão a Operação Prato, conduzida pela Força Aérea Brasileira no Pará em 1977, a histórica Noite Oficial dos OVNIs, de maio de 1986, e o episódio de Casimiro de Abreu, em 1980, quando milhares de pessoas se reuniram para acompanhar a anunciada chegada de uma nave extraterrestre. A série também percorre arquivos e investigações nos Estados Unidos, ampliando a discussão sobre documentos governamentais, relatos de militares e os limites do conhecimento científico.

Um dos destaques da produção é a participação dos ufólogos Marco Antonio Petit, Fernando Ramalho e Thiago Luiz Ticchetti, integrantes da Comissão Brasileira de Ufólogos (CBU) e da equipe editorial da Revista Fenômeno OVNI. Petit, presidente da CBU, Ramalho, vice-presidente da entidade, e Ticchetti, diretor nacional da MUFON Brasil, contribuem com seus conhecimentos, experiências e análises de acontecimentos que investigam há muitos anos. A presença dos três pesquisadores em uma produção dessa dimensão reforça a relevância do trabalho desenvolvido pela ufologia brasileira e a importância de preservar sua memória histórica. Também presente na série o jornalista Carlos Mendes, membro da CBU, que faleceu em 2026.

A estreia também conquistou espaço na imprensa nacional. Veículos como a Folha de S.Paulo e o UOL deram destaque à produção, ressaltando a recuperação de casos históricos, a presença de documentos oficiais e a proposta de discutir diferentes explicações para os fenômenos investigados. A série também foi incluída nas recomendações de programação da Folha, demonstrando o interesse que o tema desperta para além do público tradicional da ufologia. Embora ainda seja cedo para avaliar a recepção crítica e a opinião geral dos espectadores, a cobertura inicial evidencia a visibilidade conquistada pelo documentário.

Outro aspecto que merece destaque é a proposta narrativa da produção. Em vez de se limitar à apresentação de acontecimentos extraordinários, Arquivos do Céu procura relacionar investigação jornalística, memória, ciência e cultura popular. O diretor Caio Cavechini destacou que a equipe buscou uma linguagem diferente, combinando o mistério com abordagens científicas, música e momentos de humor. A participação do físico Marcelo Gleiser também contribui para ampliar o debate sobre evidências, hipóteses e questões que permanecem sem respostas definitivas.

Para a Revista Fenômeno OVNI, a chegada de uma produção como essa a uma das principais plataformas de streaming do Brasil é motivo de satisfação e, sobretudo, uma oportunidade de ampliar o debate sobre a necessidade de investigar o fenômeno UFO com seriedade, responsabilidade e respeito às testemunhas. Independentemente das interpretações sobre a origem dos objetos observados, os registros históricos, as investigações militares e os depoimentos apresentados merecem ser conhecidos, examinados e discutidos.

Mas como foi transformar décadas de histórias, documentos e testemunhos em uma série documental? Quais foram os maiores desafios enfrentados pela equipe? E o que mais surpreendeu os responsáveis pela produção durante as investigações?

Para conhecer melhor os bastidores de Arquivos do Céu, a Revista Fenômeno OVNI preparou cinco perguntas especiais para o diretor Caio Cavechini e a roteirista Mayara, abordando o processo de pesquisa, a escolha dos casos, as descobertas realizadas e a experiência de produzir uma série sobre um dos assuntos mais intrigantes e controversos da atualidade.

Confira, a seguir, nossa entrevista exclusiva com os responsáveis por levar os mistérios da ufologia brasileira às telas do Globoplay.

1.⁠ ⁠A ufologia ainda enfrenta muito preconceito, apesar de envolver investigações militares e documentos oficiais. O que levou vocês a escolher esse tema e transformá-lo em uma série documental para o grande público?

O pontapé inicial para esta série foi o caso conhecido como “A Noite Oficial dos OVNIs”, que aconteceu em 1986. Repleto de registros militares e relatos de inúmeras testemunhas, foi o primeiro caso ufológico no Brasil a receber um posicionamento oficial das Forças Armadas. Acessar documentos oficiais e buscar respostas junto às autoridades é uma das bases do trabalho jornalístico. Portanto, foi natural que essa história fosse a primeira a nos despertar interesse.

Imagens cedidas cordialmente pela produção da série

Mas, ao iniciarmos a pesquisa, nos impressionou a quantidade e a diversidade de casos ufológicos históricos que aconteceram no Brasil. São histórias preciosas, que merecem ser contadas. Seus relatos são ricos em detalhes, ainda que nem sempre seja possível comprovar o que aconteceu. Cruzamos depoimentos, buscamos conexões entre diferentes casos e investigamos possíveis explicações e hipóteses.

Percebemos rapidamente que todo esse trabalho nos levava a uma pergunta universal, talvez uma das mais importantes da filosofia e também uma das grandes questões que mobilizam a ciência: estamos sozinhos no universo?

Como jornalistas, estamos acostumados a fazer perguntas e ir atrás de respostas. Investigar essa questão nos pareceu uma história fascinante, capaz de despertar a curiosidade e o interesse de um público muito amplo.

2.⁠ ⁠Durante as gravações e pesquisas para Arquivos do Céu, vocês tiveram acesso a testemunhos e documentos históricos. Houve alguma descoberta ou relato que realmente surpreendeu a equipe e fez vocês olharem para o fenômeno UFO de maneira diferente?

O que mais nos impressionou foram os relatos dos moradores que entrevistamos em Colares, no Pará. Quase 50 anos depois, eles ainda se lembram com muita clareza dos detalhes do que viveram. Para muitos, aquelas experiências transformaram suas vidas para sempre.

É difícil ouvir essas histórias sem se perguntar o que realmente aconteceu. Fomos a fundo nessa investigação: conversamos, por exemplo, com o psiquiatra que atendeu os ribeirinhos na época e descobrimos que o caso chegou até a ser discutido em uma reunião secreta fora do Brasil.

Imagens cedidas cordialmente pela produção da série

Outra descoberta surpreendente foi a dimensão da cobertura que a própria Rede Globo já havia feito sobre casos ufológicos no passado. Além de mergulharmos em documentos oficiais, realizamos uma extensa pesquisa no acervo da emissora. Assistimos a mais de seis horas de material, incluindo gravações brutas e imagens que nunca haviam sido exibidas. A riqueza desse arquivo revelou novas camadas dessas histórias e foi fundamental para construir a narrativa dos episódios.

3.⁠ ⁠A Operação Prato ocupa uma parte importante da série. O que mais impressionou vocês nesse episódio da história brasileira? Depois de analisar os documentos e ouvir as testemunhas, qual é a principal pergunta que continua sem resposta?

O rigor jornalístico é sempre o nosso guia, qualquer que seja o assunto. Por isso, fizemos um extenso trabalho de apuração para reunir os diferentes elementos dessa história. Nos debruçamos sobre os documentos liberados pela Força Aérea e disponíveis no Arquivo Nacional, além de procurar testemunhas e autoridades ainda vivas que participaram daqueles acontecimentos.

O que mais impressiona na Operação Prato é justamente a dimensão da investigação conduzida pelos militares e a quantidade de registros produzidos na época. Ainda assim, muitas perguntas permanecem sem resposta.

Imagens cedidas cordialmente pela produção da série

O mistério é, sem dúvida, um dos motores da série. Esperamos que o espectador se sinta como um detetive, tentando encaixar as peças desse quebra-cabeça junto com a equipe. São muitas as perguntas e também diferentes as hipóteses de resposta. Ao reunir perspectivas de ufólogos, cientistas e testemunhas, buscamos apresentar elementos que ajudem o público a compreender essa história e formar suas próprias conclusões. Afinal, nem todo mistério precisa ser resolvido para continuar despertando nossa curiosidade.

4.⁠ ⁠A série reúne ufólogos, cientistas e testemunhas com diferentes interpretações sobre os acontecimentos. Como vocês procuraram equilibrar o rigor jornalístico, o ceticismo científico e os relatos de pessoas que afirmam ter presenciado fenômenos extraordinários?

Nosso desafio era aproximar esses diferentes campos, reunindo argumentos e interpretações diversas sobre os acontecimentos. Partimos do princípio de que o ceticismo científico não significa descartar aquilo que ainda não conseguimos explicar, mas investigar os fenômenos com rigor, reconhecendo também os limites do nosso conhecimento.

Imagens cedidas cordialmente pela produção da série

Por isso, procuramos manter uma postura aberta, sem antecipar conclusões ou cravar certezas. Fomos a campo ouvir as pessoas sem julgamentos, respeitando suas experiências e confrontando seus relatos com documentos, pesquisas e diferentes perspectivas. Acreditamos que é justamente desse encontro entre testemunhos, investigação jornalística e conhecimento científico que surgem as perguntas mais interessantes. E conseguimos reunir depoimentos extremamente ricos em detalhes.

5.⁠ ⁠Depois de mergulhar nesse universo, conhecer testemunhas e investigar casos que continuam sem explicação, vocês passaram a acreditar que podemos estar diante de algo que a ciência ainda não consegue compreender? E existe a possibilidade de uma segunda temporada?

Parte fundamental do trabalho científico é fazer perguntas. É assim também com o jornalismo.

Ao longo dessa investigação, foi importante reconhecer que existem relatos, documentos e fenômenos que merecem ser investigados, sem transformar necessariamente hipóteses em fatos. Levamos a sério as experiências de quem diz ter presenciado algo, mas mantivemos nossa postura jornalística: investigar versões, confrontar informações, contextualizar historicamente e separar evidências de especulações.

A ciência é uma ferramenta essencial nessa busca. A astronomia, a física e outras áreas do conhecimento oferecem caminhos para compreender fenômenos, mas também nos ajudam a reconhecer os limites do que sabemos.

Imagens cedidas cordialmente pela produção da série
Imagens cedidas cordialmente pela produção da série
Imagens cedidas cordialmente pela produção da série
Imagens cedidas cordialmente pela produção da série

A beleza deste projeto talvez esteja justamente em nos ensinar a lidar com o desconhecido e com os limites do nosso próprio conhecimento. Sempre haverá uma nova pergunta, e esse universo parece oferecer histórias e questões para muitas outras investigações. Quem sabe uma segunda temporada?

A série pode ser assistida na plataforma de streaming do Globoplay

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