CASA BRANCA NÃO RESPONDE: HÁ ORDEM PARA DERRUBAR UFOS?

A Casa Branca não confirma nem desmente as alegações, enquanto operações em White Sands, armas a laser e incidentes no espaço aéreo alimentam uma pergunta cada vez mais intrigante: os Estados Unidos estariam tentando derrubar UFOs?

A promessa de maior transparência do governo dos Estados Unidos sobre UFOs e UAPs enfrenta um novo teste. Depois de meses de divulgação de documentos e imagens oficiais, algumas das perguntas mais delicadas permanecem sem resposta — entre elas, se militares norte-americanos receberam autorização para derrubar objetos aéreos não identificados e se alguma operação teria sido realizada para atrair esses fenômenos até instalações militares.

A Casa Branca não respondeu aos questionamentos do Liberation Times sobre uma suposta autorização presidencial para que forças norte-americanas derrubassem objetos aéreos não identificados

A questão ganhou força após o jornalista Ross Coulthart afirmar que o presidente Donald Trump teria autorizado o Departamento de Guerra a interceptar UFOs. Segundo Coulthart, objetos teriam inclusive sido derrubados em território norte-americano e nas proximidades de Ciudad Juárez, no México, junto à fronteira com El Paso, Texas. Até o momento, porém, essas alegações não foram verificadas de maneira independente.

O Liberation Times procurou diretamente o Departamento de Guerra para saber se existia alguma ordem presidencial desse tipo. Em vez de confirmar ou negar a informação, um representante do órgão orientou o jornal a procurar a Casa Branca para questões relacionadas a ordens, diretrizes ou autorizações emitidas pelo presidente.

A reportagem então perguntou à Casa Branca se Trump, na condição de comandante-em-chefe, havia autorizado militares norte-americanos a derrubar UAPs, UFOs, “orbes” ou qualquer outro objeto aéreo não identificado. Também questionou se o governo havia conduzido uma operação destinada a atrair UAPs.

A assessoria de imprensa da Casa Branca chegou a perguntar qual era o prazo para a publicação da matéria. O Liberation Times estabeleceu as 17h do dia 25 de setembro de 2026. Mesmo depois de novos contatos, nenhuma resposta foi fornecida até a publicação do artigo, em 26 de setembro.

O problema da transparência

O silêncio ocorre em meio a uma iniciativa oficial de divulgação de informações sobre UAPs. Em maio de 2026, o Departamento de Guerra começou a disponibilizar registros por meio do Presidential Unsealing and Reporting System for UAP Encounters (PURSUE), com apoio do Escritório do Diretor de Inteligência Nacional.

Alegações de que Donald Trump teria autorizado militares a interceptar e derrubar UFOs foram divulgadas pelo jornalista Ross Coulthart, mas permanecem sem confirmação oficial.

Mas o material divulgado até agora não resolveu algumas das principais controvérsias.

Dois vídeos que supostamente mostrariam um UFO triangular de aproximadamente 30 metros sobre uma base militar no Colorado, por exemplo, teriam sido mantidos pelo Air Force Office of Special Investigations. Números de arquivo chegaram a ser divulgados por fontes, mas o Pentágono informou posteriormente que, após uma revisão de seus registros, não encontrou imagens relacionadas ao suposto avistamento.

Outro ponto envolve o astrofísico Avi Loeb, da Universidade Harvard, que foi convidado por órgãos governamentais norte-americanos a participar da criação de um conselho científico dedicado aos UAPs. Segundo a reportagem, o grupo deveria analisar evidências não classificadas e aconselhar o governo sobre pesquisas relacionadas ao fenômeno. Entretanto, Loeb teria recebido pouco ou nenhum dado significativo das próprias agências governamentais.

A resistência à liberação de determinadas informações teria razões que vão além do tema UFO. Dados relevantes poderiam ter sido obtidos por satélites, plataformas marítimas e sofisticados sistemas de inteligência. Divulgar determinadas evidências poderia, portanto, revelar não apenas o que foi detectado, mas também como os Estados Unidos conseguem detectar e monitorar determinados alvos.

O enigma de White Sands

É nesse contexto que o White Sands Missile Range, no Novo México, assume papel importante na história.

Desde o final de 2025, uma sequência de acontecimentos envolvendo a região de White Sands e El Paso chamou a atenção. Separadamente, vários desses episódios possuem explicações conhecidas ou permanecem apenas como relatos não confirmados. Quando reunidos cronologicamente, porém, ajudam a explicar por que jornalistas passaram a fazer perguntas ao governo sobre possíveis operações envolvendo objetos não identificados.

No final de 2025, segundo fontes citadas pelo Liberation Times, um alto funcionário de inteligência, uma tripulação de helicóptero e pessoal em terra teriam observado orbes luminosos próximos a um helicóptero e caças em uma instalação de testes norte-americana não identificada. O FBI teria posteriormente entrevistado o funcionário. Não existe, contudo, confirmação oficial de que a instalação fosse White Sands nem de que os objetos tivessem sido deliberadamente atraídos para o local.

O campo de testes de White Sands, no Novo México, tornou-se um dos pontos centrais das especulações após relatos sobre UAPs e uma sequência de atividades militares e testes de sistemas antidrones na região

Em fevereiro de 2026, testemunhas na região de El Paso relataram diferentes fenômenos luminosos, incluindo objetos esféricos e luzes em movimento. Poucos dias depois, o espaço aéreo do Aeroporto Internacional de El Paso foi temporariamente fechado. O governo atribuiu a medida à ameaça representada por drones ligados a cartéis, enquanto reportagens também apontaram preocupações de segurança envolvendo um sistema antidrones a laser.

Em 26 de fevereiro ocorreu outro incidente significativo: um sistema militar antidrones derrubou por engano um drone da própria U.S. Customs and Border Protection perto de Fort Hancock, no Texas. A FAA voltou a restringir temporariamente o espaço aéreo da região.

Lasers entram na história

Nos meses seguintes, White Sands tornou-se palco de testes envolvendo sistemas de energia dirigida destinados ao combate a drones.

Entre 7 e 8 de março, militares e a FAA realizaram testes de segurança com lasers antidrones no campo de provas. Em abril, FAA e Pentágono anunciaram um acordo relacionado à utilização desse tipo de tecnologia ao longo da fronteira sudoeste dos Estados Unidos.

Em 23 de junho, durante uma demonstração em White Sands, o secretário de Defesa Pete Hegseth operou pessoalmente um sistema LOCUST, utilizando-o para derrubar um drone, segundo o fabricante do equipamento. Em setembro, a AeroVironment anunciou um contrato de US$ 464,8 milhões com o Exército norte-americano para fornecer dezenas de sistemas LOCUST X3.

Nada disso demonstra que lasers tenham sido empregados contra UFOs ou UAPs. Os testes documentados estão relacionados oficialmente a operações antidrones. A proximidade entre esses acontecimentos e as alegações envolvendo objetos não identificados, contudo, alimentou novas perguntas sobre as atividades desenvolvidas naquela região.

Fontes citadas pelo Liberation Times levantaram a possibilidade de uma operação destinada a atrair UAPs para uma instalação militar norte-americana. Até o momento, não há confirmação oficial de que tal operação tenha ocorrido

Foi justamente nesse cenário que, em agosto de 2026, Coulthart afirmou que Trump teria autorizado uma operação para interceptar objetos não identificados nas proximidades de White Sands. Segundo suas fontes, alguns desses objetos teriam sido derrubados nos Estados Unidos e nas proximidades de Ciudad Juárez. Novamente, a afirmação permanece não confirmada.

Uma questão muito maior do que UFOs

Existe ainda outro aspecto preocupante.

Se forças militares realmente receberam autorização para atacar objetos que ainda não foram identificados, quais critérios são utilizados antes da decisão de abrir fogo? Quem determina que determinado alvo representa uma ameaça? E quais mecanismos existem para impedir que uma aeronave civil seja confundida com um alvo hostil?

A história demonstra que esse risco não é apenas teórico.

O Liberation Times relembra o programa de interdição aérea apoiado pelos Estados Unidos no Peru durante os anos 1990 e início dos anos 2000. Documentos oficiais registram problemas no cumprimento dos procedimentos estabelecidos para autorizar disparos contra aeronaves suspeitas de transportar drogas.

As consequências tornaram-se trágicas em 20 de abril de 2001. Um avião civil que transportava missionários foi confundido com uma aeronave ligada ao narcotráfico. Um caça da Força Aérea Peruana abriu fogo, matando uma mulher e sua filha bebê. Após o incidente, o apoio norte-americano às operações de interdição aérea no Peru e na Colômbia foi suspenso.

O episódio mostra por que qualquer política envolvendo disparos contra objetos inicialmente classificados como “não identificados” exige regras extremamente rigorosas.

As perguntas continuam

Até agora, não existe confirmação pública de que Trump tenha autorizado militares a derrubar UFOs, tampouco de que forças norte-americanas estejam conduzindo uma operação destinada a atrair UAPs para White Sands.

O próprio Liberation Times ressalta que as supostas derrubadas continuam sem verificação.

Mas permanece um fato importante: quando questionado diretamente sobre uma eventual autorização presidencial, o Departamento de Guerra encaminhou a pergunta à Casa Branca. E, quando a Casa Branca recebeu a pergunta, não apresentou resposta até o prazo estabelecido pela reportagem.

Se forças militares estiverem autorizadas a disparar contra objetos ainda não identificados, uma questão torna-se fundamental: quais critérios determinam quando um alvo desconhecido representa ameaça suficiente para justificar o uso da força?

Assim, a questão mais importante talvez não seja apenas o que estaria voando sobre White Sands, mas o que acontece quando militares encontram algo no céu que não conseguem identificar imediatamente.

Se os Estados Unidos realmente estão atirando contra objetos não identificados, quem decide o que eles são — e quem dá a ordem para abrir fogo?

Fonte: Liberation Times (adaptado)

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