250 POLICIAIS BRITÂNICOS QUEBRAM O SILÊNCIO SOBRE ENCONTROS COM UFOs
Relatos de encontros inexplicáveis ficaram ocultos por décadas por medo do ridículo e de consequências profissionais
Durante décadas, policiais britânicos teriam observado objetos e fenômenos incomuns nos céus do Reino Unido sem falar publicamente sobre suas experiências. Alguns permaneceram em silêncio por receio do ridículo. Outros temiam consequências profissionais. Agora, aproximadamente 250 integrantes e ex-integrantes das forças policiais britânicas decidiram compartilhar seus relatos com um dos seus próprios colegas.
O responsável por reunir os depoimentos é Roy Teague, inspetor em atividade da West Midlands Police e comandante tático de operações com armas de fogo. Antes de ingressar na polícia, Teague serviu durante seis anos no Exército britânico, incluindo missões na Irlanda do Norte e na Bósnia. Ele está há cerca de 26 anos na carreira policial.

Em entrevista ao jornalista Ross Coulthart, no programa Reality Check, publicada em 1º de setembro de 2026, Teague apresentou alguns dos casos que reuniu durante sua investigação sobre encontros de policiais britânicos com UFOs — atualmente chamados oficialmente de fenômenos anômalos não identificados, ou UAPs.
O número chama atenção: cerca de 250 policiais procuraram Teague.
Mais significativo, porém, talvez seja outro dado apresentado pelo inspetor. Segundo ele, entre os policiais que forneceram seus relatos, apenas nove não aceitaram ser identificados. Isso significa que a grande maioria estaria disposta a associar seus nomes às experiências relatadas.
Teague reuniu 75 dos casos que considera mais interessantes no livro Close Encounters of the Police Kind.
O fenômeno escondido atrás do distintivo
A investigação começou depois que Teague assistiu, em 2016, a um documentário sobre relatos de UFOs próximos a instalações americanas de mísseis nucleares. Os depoimentos de militares despertaram nele uma questão fundamental: quais profissionais poderiam ser considerados testemunhas particularmente relevantes para investigar fenômenos dessa natureza? Sua resposta foram os policiais.
Agentes policiais são treinados para observar situações, identificar veículos e pessoas, registrar detalhes, reconstruir acontecimentos e posteriormente apresentar seus relatos em procedimentos oficiais e tribunais. Isso não significa que estejam imunes a erros de percepção ou interpretação, mas torna seus testemunhos especialmente relevantes para uma investigação.

Teague começou então a procurar ocorrências envolvendo policiais britânicos. O projeto ganhou uma dimensão inesperada depois que ele fez um apelo público, inclusive por meio da BBC, para que agentes e ex-agentes entrassem em contato. A resposta, segundo ele, foi imediata.
Muitos aparentemente carregavam essas histórias havia anos ou mesmo décadas, mas nunca haviam encontrado um ambiente no qual se sentissem confortáveis para relatá-las. O problema era o estigma.
Embora policiais estejam acostumados a registrar testemunhos de outras pessoas, admitir ter visto algo aparentemente inexplicável poderia colocar em dúvida sua própria capacidade de julgamento. Para profissionais cuja credibilidade é parte essencial da atividade, esse risco não era pequeno.
Teague descreve o resultado desse silêncio como um fenômeno que permaneceu, durante décadas, “escondido atrás do distintivo”.
Um objeto sobre Londres
Entre os episódios apresentados na entrevista está uma ocorrência extraordinária registrada em julho de 1997.
Segundo Teague, uma tripulação de helicóptero da Metropolitan Police e um warrant officer do Exército observaram sobre a região central de Londres um objeto descrito como semelhante a um dardo.
O objeto teria acelerado rapidamente e desaparecido diante das testemunhas. O aspecto mais extraordinário do depoimento é a afirmação de que ele teria desaparecido em algo que as testemunhas interpretaram como uma espécie de abertura no céu.

A descrição, evidentemente, não demonstra que algum tipo de “portal” realmente tenha existido. Trata-se da interpretação apresentada pelas testemunhas diante de algo que afirmaram não conseguir explicar.
O caso ganha interesse adicional porque teria envolvido profissionais treinados e uma aeronave policial.
O policial que perdeu duas horas e meia
Outro episódio apresentado por Teague é ainda mais estranho.
Um policial que estava fora de serviço viajava pela rodovia A14 acompanhado da esposa, dos filhos e do cachorro da família quando teria experimentado um período de aproximadamente duas horas e meia que não conseguia explicar.
Casos de suposto missing time, “tempo perdido”, aparecem há décadas na literatura ufológica, frequentemente associados a experiências de encontros próximos e alegações de abdução. São, porém, extremamente difíceis de verificar retrospectivamente.
O interesse do episódio britânico está justamente no perfil da testemunha e na presença de outras pessoas durante a viagem.

Isso não estabelece uma causa extraterrestre para a experiência, mas coloca o episódio entre os relatos que Teague considera merecedores de investigação.
Um objeto metálico atrás do olho
Um dos casos mais desconcertantes apresentados envolve um policial de Grampian, na Escócia.
Segundo Teague, exames de ressonância magnética mostrariam um pequeno objeto metálico localizado atrás do olho direito do policial.
A existência de um corpo estranho, isoladamente, não demonstra qualquer relação com UFOs ou com uma experiência anômala. Para estabelecer essa conexão seriam necessários exames independentes, histórico médico detalhado, análise da composição do objeto e outras evidências.
Ainda assim, Teague incluiu o episódio entre os casos que considera mais intrigantes.
A entrevista percorre outros relatos igualmente incomuns: fotografias feitas por policiais, um objeto triangular negro descrito como tendo dimensões enormes, um policial supostamente perseguido por algo desconhecido em uma rodovia e ocorrências históricas que remontam às décadas de 1970 e 1980.

Quando falar sobre UFOs pode afetar a carreira
Mas talvez a parte mais importante da investigação de Teague não esteja nos objetos descritos no céu. Está no que teria acontecido depois dos avistamentos.
O inspetor relata casos de policiais que enfrentaram pressão para permanecer em silêncio. Um colega teria sido afastado temporariamente de suas atividades aéreas e posteriormente interrogado pela Royal Air Force (RAF) em um endereço particular em Croydon.
O próprio Teague afirma ter recebido conselhos de oficiais superiores para escolher outro assunto para seu livro.
Esses relatos ajudam a explicar por que tantas testemunhas teriam permanecido em silêncio durante tanto tempo.
O problema é particularmente delicado dentro das forças policiais. Um agente precisa ser considerado capaz de observar corretamente uma situação, interpretar acontecimentos e apresentar testemunhos confiáveis. Admitir publicamente ter visto um UFO poderia, principalmente algumas décadas atrás, expô-lo ao ridículo e potencialmente prejudicar sua reputação profissional.
É exatamente essa barreira que Teague pretende romper.
“99% não disseram nada”
Um dos momentos mais reveladores da entrevista ocorre quando a discussão se volta para aqueles que nunca relataram oficialmente suas experiências.
A questão levanta uma possibilidade importante: os arquivos policiais podem representar apenas uma pequena fração dos avistamentos efetivamente testemunhados por agentes.
Se policiais evitavam registrar formalmente ocorrências envolvendo UFOs, bancos de dados oficiais podem oferecer uma imagem incompleta da verdadeira dimensão do fenômeno.
Essa é uma questão conhecida na pesquisa ufológica. Durante décadas, pilotos comerciais e militares também relataram receio de comunicar determinadas observações por medo de consequências profissionais. Nos últimos anos, o próprio debate institucional sobre UAPs nos Estados Unidos passou a reconhecer o estigma como um dos obstáculos para a obtenção de informações.
O trabalho de Teague sugere que algo semelhante pode ter ocorrido nas forças policiais britânicas.
Testemunhas qualificadas não significam respostas definitivas
Há, entretanto, uma distinção fundamental. O fato de policiais relatarem fenômenos inexplicáveis não demonstra que esses fenômenos sejam extraterrestres.
Mesmo testemunhas altamente treinadas podem interpretar incorretamente distância, velocidade, dimensões e características de objetos observados em condições incomuns. Aeronaves, satélites, fenômenos atmosféricos, balões, drones, corpos astronômicos e erros de percepção precisam ser considerados antes de qualquer conclusão extraordinária. O verdadeiro valor da investigação de Teague está em outro ponto.
Se centenas de policiais realmente observaram acontecimentos que consideraram suficientemente incomuns para recordar durante anos ou décadas, e se muitos evitaram falar por causa do estigma, existe um conjunto de testemunhos históricos que merece ser documentado e analisado.
O próprio Teague resume sua motivação de maneira simples: policiais são profissionais cuja atividade diária envolve procurar fatos e reconstruir acontecimentos. Para ele, investigar UFOs deveria seguir o mesmo princípio.
Quando 250 policiais começam a falar
Talvez esse seja o aspecto mais significativo da história. Individualmente, cada relato pode possuir diferentes graus de confiabilidade e diferentes possibilidades de explicação. Alguns provavelmente poderão ser esclarecidos. Outros talvez permaneçam inconclusivos.
Mas 250 policiais dispostos a contar suas experiências representam algo maior do que uma coleção de histórias sobre objetos estranhos no céu.
Representam também um retrato de como o estigma pode interferir na coleta de informações.
Durante décadas, a pergunta feita a uma testemunha de UFO frequentemente foi: “Por que deveríamos acreditar em você?”
O trabalho de Roy Teague introduz uma questão diferente: quantas testemunhas profissionalmente treinadas viram alguma coisa e decidiram não contar a ninguém?
Se a resposta estiver próxima do que sua investigação sugere, o silêncio em torno do fenômeno pode ter sido muito maior do que os registros oficiais jamais demonstraram.

