CIENTISTAS ANALISARAM 112 VÍDEOS DE UFOS. A CONCLUSÃO VAI SURPREENDER VOCÊ

A divulgação de mais de cem vídeos de UFOs pelo governo dos Estados Unidos abriu uma nova frente para a investigação independente do fenômeno. Agora, uma análise científica desses registros militares revela um desafio decisivo

Os pesquisadores Jacob Haqq-Misra, da Blue Marble Space, e Ravi Kopparapu, do Goddard Space Flight Center da NASA, analisaram 112 vídeos divulgados em 2026 por meio do Presidential Unsealing and Reporting System for UFO Encounters (PURSUE). O trabalho, disponibilizado como preprint e ainda não submetido à revisão por pares, procurou estabelecer o que pode — e, principalmente, o que não pode — ser determinado cientificamente a partir das imagens liberadas pelo governo norte-americano.

Jacob Haqq-Misra, da Blue Marble Space
Ravi Kopparapu, do Goddard Space Flight Center da NASA

Desde 8 de maio de 2026, mais de cem vídeos associados a ocorrências de UFOs foram disponibilizados pelas autoridades norte-americanas. Grande parte das imagens foi registrada por pods de designação de alvos e câmeras instaladas em plataformas militares, utilizando sensores infravermelhos e eletro-ópticos. Os registros mostram objetos atravessando rapidamente o campo de visão ou sendo acompanhados pelos sistemas de rastreamento.

O problema identificado pelos pesquisadores está menos nas imagens e mais nos dados que não acompanham os vídeos.

A velocidade aparente pode enganar

Uma das principais conclusões do estudo é que observar um objeto deslocando-se rapidamente pela tela não permite determinar sua velocidade real. É possível calcular quantos pixels ele percorre entre os quadros de um vídeo, mas transformar esse deslocamento aparente em velocidade física exige informações adicionais que, em muitos dos registros do PURSUE, estão ausentes ou foram ocultadas.

Entre elas, a mais importante é a distância entre o objeto e a plataforma que realiza a observação.

Sem conhecer essa distância, um pequeno objeto relativamente próximo da câmera e deslocando-se lentamente pode produzir uma imagem semelhante à de um objeto muito maior e distante viajando em alta velocidade. Por isso, segundo Kopparapu, a informação sobre a distância do alvo — idealmente registrada ao longo de toda a observação — seria provavelmente o dado mais importante para futuras análises.

Também seriam necessários parâmetros como campo de visão da câmera, trajetória e velocidade da aeronave que realizou a gravação, geometria da observação e características do sensor utilizado.

Sem essas informações, fenômenos aparentemente extraordinários podem ser resultado de perspectiva, paralaxe, comportamento do sistema óptico ou outras características do equipamento.

Os vídeos não vem com mais informações: isso dificulta a análise

O dilema entre transparência e segurança nacional

Parte dessas informações não é divulgada porque pode revelar capacidades sensíveis dos sistemas militares norte-americanos. Dados relacionados à resolução dos sensores, distância focal, algoritmos de rastreamento e desempenho dos equipamentos podem fornecer informações estratégicas a possíveis adversários.

Surge, portanto, um conflito entre duas necessidades: proteger tecnologias militares classificadas e disponibilizar dados suficientes para permitir uma investigação científica independente.

Haqq-Misra sugere que uma possível solução seria o governo fornecer documentos oficiais certificando determinados parâmetros das observações, sem necessariamente revelar detalhes técnicos dos equipamentos. Saber oficialmente a distância do objeto ou ter acesso à trajetória da aeronave observadora, por exemplo, já permitiria análises muito mais precisas.

O próprio funcionamento dos sistemas de rastreamento pode criar interpretações equivocadas. Quando uma câmera acompanha automaticamente um alvo, ela pode mantê-lo praticamente imóvel no centro da imagem. Isso significa que um objeto viajando rapidamente pode parecer estacionário no vídeo. Sem informações sobre o movimento da câmera, da aeronave e do alvo, reconstruir o que realmente aconteceu torna-se extremamente difícil.

O caso GOFAST mostra por que os dados fazem diferença

Os pesquisadores utilizam o famoso vídeo GOFAST, divulgado originalmente em 2017, como exemplo da importância da telemetria.

Durante anos, as imagens foram interpretadas como mostrando um objeto deslocando-se em velocidade extraordinária próximo à superfície do oceano. Análises posteriores, porém, conseguiram utilizar dados adicionais disponíveis no próprio registro para reconstruir sua movimentação.

O UFO GOFAST foi um exemplo de informações que deveria haver nos videos

A conclusão foi que grande parte da impressão de velocidade era produzida pelo efeito de paralaxe, provocado pelo movimento da aeronave observadora. Quando a trajetória foi calculada e comparada às condições de vento, o comportamento mostrou-se compatível com o de um objeto sendo transportado pelas correntes de ar, provavelmente um balão.

Para Haqq-Misra e Kopparapu, o GOFAST demonstra justamente o que falta em grande parte dos vídeos atualmente divulgados pelo PURSUE: dados complementares suficientes para testar hipóteses.

Um objeto registrado em 1996 chama a atenção

Entre os 112 vídeos analisados, os pesquisadores destacaram o DOW-UFO-PR113, uma gravação infravermelha realizada em 1996 no oeste dos Estados Unidos.

O vídeo mostra um pequeno objeto escuro — ou possivelmente dois objetos muito próximos — atravessando rapidamente o campo de visão. Segundo as medições dos pesquisadores, ele percorre aproximadamente 142 pixels por quadro, correspondendo a cerca de 2,2 larguras do campo de visão por segundo, permanecendo diretamente visível durante apenas cerca de um décimo de segundo.

O registro possui algumas marcações que permitem estimar parcialmente a escala angular e o campo de visão da câmera. Ainda assim, faltam informações fundamentais para calcular a velocidade real ou determinar as características físicas do objeto.

É justamente esse tipo de caso que, segundo os cientistas, exige cautela. Uma imagem pode apresentar um comportamento aparentemente extraordinário e, ainda assim, não fornecer informações suficientes para confirmar que algo fisicamente anômalo ocorreu.

Da mesma maneira, a ausência desses dados também impede que a hipótese de um fenômeno genuinamente anômalo seja descartada.

Os vídeos não provam nem descartam movimentos anômalos

Essa talvez seja a principal conclusão do estudo.

Os 112 vídeos examinados não permitem demonstrar que os objetos apresentam velocidades ou movimentos extraordinários, mas também não permitem excluir essa possibilidade em todos os casos. O problema fundamental é a insuficiência de informações necessárias para reconstruir tridimensionalmente os acontecimentos.

Uma câmera isolada registra principalmente ângulos. Sem conhecer distância, geometria, movimento do observador e outros parâmetros, é impossível transformar determinadas imagens bidimensionais em uma reconstrução confiável da trajetória física do objeto.

Por isso, os pesquisadores defendem uma mudança na forma como futuros UFOs são estudados.

O caminho está nos múltiplos sensores

Haqq-Misra e Kopparapu defendem sistemas de observação multimodais e instalados em diferentes locais, capazes de registrar simultaneamente um fenômeno utilizando câmeras no espectro visível e infravermelho, além de radar, radiofrequência e até sensores acústicos.

A combinação desses instrumentos permitiria comparar dados independentes e reconstruir com muito mais precisão posição, distância, velocidade, trajetória e características físicas de um objeto.

Esse modelo já está sendo empregado por iniciativas científicas independentes, como o Galileo Project, da Universidade Harvard.

A análise dos vídeos do PURSUE, portanto, não encerra a discussão sobre os UFOs. Ao contrário, evidencia uma questão fundamental para a nova fase da investigação: não basta divulgar imagens; é necessário divulgar dados cientificamente utilizáveis.

A abertura de arquivos e vídeos militares representa um avanço significativo em relação às décadas em que registros desse tipo permaneceram classificados ou inacessíveis. Mas, para que a transparência produza conhecimento científico, pesquisadores precisam receber informações suficientes para testar hipóteses, calcular trajetórias e distinguir fenômenos realmente anômalos de efeitos provocados por perspectiva, sensores, balões, aves ou outros objetos convencionais.

Nesse sentido, o estudo de Haqq-Misra e Kopparapu estabelece um limite importante para a interpretação dos vídeos divulgados até agora: eles podem mostrar algo não identificado, mas a ausência dos dados técnicos necessários impede afirmar, apenas pelas imagens, que esse “algo” esteja realizando manobras impossíveis ou apresentando velocidades extraordinárias.

Ao mesmo tempo, os pesquisadores alertam contra o extremo oposto. Dados incompletos também não justificam descartar automaticamente todos os registros como fenômenos convencionais. O caminho proposto é mais rigoroso: melhorar a qualidade das informações disponibilizadas, ampliar a coleta multissensorial e permitir que as evidências sejam submetidas a análises independentes e reproduzíveis.

A questão central deixa, assim, de ser simplesmente “o que aparece nesses vídeos?” e passa a ser outra, cientificamente mais importante: “quais dados precisamos obter para descobrir o que realmente estamos vendo?”

Fonte: The Debrief (adaptado)

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