BASE NA LUA?
Pesquisadores da Academia Nacional de Ciências da Ucrânia afirmam ter registrado dezenas de objetos durante observações telescópicas da Lua, incluindo estruturas discoides e toroidais com dimensões estimadas de quilômetros. Embora os resultados sejam intrigantes, as conclusões ainda são altamente controversas e aguardam validação independente pela comunidade científica
Um estudo que volta a colocar a Lua no centro do debate ufológico
A possibilidade de que a Lua esteja relacionada ao fenômeno UFO voltou a ganhar destaque após a divulgação do artigo “UFO Dynamics on the Moon“, elaborado pelos pesquisadores Boris Zhilyaev, Vladimir Petukhov e Sergey Pokhvala, do Main Astronomical Observatory da Academia Nacional de Ciências da Ucrânia (NAS of Ukraine).
No trabalho, os autores afirmam ter identificado mais de vinte objetos anômalos durante observações realizadas em 2025. A partir da análise de vídeos de alta velocidade, eles sugerem que algumas dessas estruturas apresentariam características incompatíveis com fenômenos naturais conhecidos ou com tecnologias humanas atuais. Entre as hipóteses levantadas está a possibilidade de que a Lua funcione como uma base para esses objetos.
Trata-se, porém, de uma interpretação que ainda está longe de ser aceita pela comunidade científica. Embora o estudo apresente métodos de análise e cálculos detalhados, suas conclusões permanecem especulativas e dependem de confirmação por observatórios independentes.

Como as observações foram realizadas
As observações ocorreram nos dias 16 de agosto e 7 de setembro de 2025, utilizando um telescópio Intes-Alter M603 equipado com uma câmera ASI 294 Pro, instalado na vila de Vinarivka, ao sul de Kiev.
Os pesquisadores registraram vídeos da Lua com resolução temporal de 0,05 segundo, equivalente a 20 quadros por segundo. Antes da análise, as imagens passaram por um processo de calibração destinado a eliminar ruídos eletrônicos, diferenças de sensibilidade entre os pixels do sensor e variações de iluminação. Todo o processamento foi realizado com auxílio do software MATLAB.
Segundo os autores, esse procedimento permitiu identificar pequenos objetos de baixo contraste que normalmente passariam despercebidos em observações convencionais.
Dois grupos de objetos foram identificados
Após examinar os registros, os pesquisadores dividiram os supostos objetos em duas categorias distintas: os chamados UFOs atmosféricos e os UFOs continentais.
Os primeiros permaneceriam praticamente estacionários em relação ao disco lunar, enquanto os segundos aparentariam deslocar-se sobre a superfície da Lua.
Essa classificação serviu como base para todas as análises posteriores desenvolvidas no artigo.
Os chamados “UFOs atmosféricos”
Os objetos classificados como atmosféricos aparecem fixos nas imagens, mantendo praticamente a mesma posição durante toda a gravação.
Segundo os pesquisadores, eles apresentam flashes luminosos com duração entre 100 e 500 milissegundos, além de oscilações periódicas de brilho. Utilizando transformadas de Fourier, a equipe afirma ter identificado frequências fundamentais acompanhadas por diversos harmônicos, comportamento que consideram característico de processos pulsados.
Um dos aspectos que mais chamou a atenção dos autores foi o fato de dois objetos separados por centenas de quilômetros sobre a superfície lunar apresentarem variações de brilho praticamente sincronizadas. O estudo afirma que essa correlação alcança um nível de confiança estatística de 95%, sugerindo que ambos poderiam estar relacionados por algum mecanismo ainda desconhecido.
Objetos poderiam medir até 1,8 quilômetro
Utilizando modelos fotométricos que relacionam o brilho observado ao albedo da Lua e da luz solar refletida, os pesquisadores estimaram o tamanho mínimo dos objetos detectados.
Caso eles refletissem integralmente a luz solar, suas dimensões seriam da ordem de 440 metros. Entretanto, assumindo uma refletividade semelhante à da superfície lunar, o diâmetro estimado aumentaria para aproximadamente 1,8 quilômetro.

Os autores reconhecem que essas estimativas dependem diretamente das propriedades ópticas dos objetos, mas afirmam que, em qualquer cenário considerado, eles apresentariam dimensões incomuns.
Objetos em movimento sobre a superfície lunar
Outra categoria identificada recebeu a denominação de “UFOs continentais” por aparentar deslocar-se sobre o relevo da Lua.
Segundo o estudo, um desses objetos percorreu aproximadamente 22 quilômetros a uma velocidade estimada de 6,6 km/s. As reconstruções realizadas pelos autores indicariam estruturas discoides entre 25 e 40 quilômetros de diâmetro, cujas variações de brilho não ultrapassariam 1%.
Para minimizar os efeitos provocados pela turbulência atmosférica terrestre e pelas pequenas oscilações do telescópio, foi empregado um método denominado Phase Discrimination, que busca separar o sinal atribuído ao objeto das variações gerais de luminosidade registradas durante a observação.
Estruturas toroidais impressionam pelas dimensões
A parte mais incomum do estudo envolve os chamados UFOs toroidais, estruturas em forma de anel detectadas durante observações diurnas da Lua.
Segundo os autores, esses objetos apresentam aproximadamente 36 quilômetros de diâmetro, podem atingir velocidades de até 11 km/s e realizam um movimento de rotação contínuo, completando uma volta em aproximadamente 180 segundos.

A partir desses valores, os pesquisadores calcularam uma aceleração centrífuga próxima de 2.200 cm/s², cerca de duas vezes superior à gravidade terrestre. Com base nesse resultado, levantam a hipótese de que essas estruturas poderiam gerar uma forma de gravidade artificial em seu interior.
Embora os cálculos façam parte do artigo, essa interpretação permanece inteiramente hipotética.
A hipótese mais controversa: uma base de UFOs na Lua
Na discussão final do trabalho, os autores vão além da descrição das observações e apresentam uma interpretação bastante ousada.
Segundo eles, os objetos observados possuem dimensões e velocidades incompatíveis com qualquer tecnologia terrestre conhecida e poderiam representar uma civilização tecnologicamente avançada. Nesse cenário, a Lua funcionaria como uma base operacional desses veículos, que seriam capazes de alcançar a Terra em cerca de vinte minutos e se manifestariam na atmosfera terrestre como os atuais fenômenos UAP.
Essa hipótese, entretanto, representa uma extrapolação das observações apresentadas no estudo e não constitui um consenso científico.
As principais limitações do estudo
Embora o artigo utilize técnicas de fotometria, processamento digital de imagens e análise espectral, diversas questões ainda precisam ser respondidas antes que suas conclusões possam ser consideradas robustas.
Entre os principais pontos que provavelmente serão discutidos pela comunidade científica estão a necessidade de reprodução independente dos resultados, a possibilidade de artefatos ópticos ou eletrônicos, os efeitos da turbulência atmosférica terrestre, as limitações impostas pela resolução das imagens e o fato de que as interpretações propostas extrapolam significativamente os dados observacionais.

Em pesquisas envolvendo fenômenos extraordinários, a confirmação por diferentes equipes utilizando instrumentos distintos é considerada um requisito fundamental.
Um trabalho que certamente estimulará novas investigações
Independentemente das conclusões apresentadas, o estudo amplia o debate sobre a investigação científica dos Fenômenos Aéreos Não Identificados. Ao aplicar técnicas modernas de processamento de imagens e análise temporal em observações da Lua, os pesquisadores oferecem um conjunto de dados que certamente despertará interesse tanto entre astrônomos quanto entre estudiosos dos UAPs.
Se futuras observações confirmarem resultados semelhantes, o trabalho poderá representar um importante ponto de partida para novas pesquisas. Caso contrário, servirá como um exemplo de como hipóteses extraordinárias precisam ser submetidas aos mais rigorosos testes científicos.
Fonte: Academia

