ABERTURA UFOLÓGICA OU NOVA CORTINA DE FUMAÇA? POR QUE AINDA ESCONDEM O PASSADO DOS OVNIS?
Nos últimos anos, o movimento de abertura em torno dos UFOs/OVNIs reacendeu um antigo debate dentro da Ufologia: estaríamos caminhando para uma transparência completa ou apenas para uma divulgação parcial?
Para muitos pesquisadores, caso exista um processo oficial da Abertura Ufológica, ele poderá reconhecer a existência de fenômenos anômalos e até admitir que determinadas tecnologias ou ocorrências desafiam as explicações convencionais. No entanto, isso não significaria necessariamente que toda a história seria revelada. Segundo essa linha de pensamento, os episódios mais sensíveis do passado — supostos programas secretos, recuperações de materiais, decisões governamentais e décadas de investigações classificadas — poderiam continuar protegidos sob o argumento da segurança nacional ou da preservação de capacidades estratégicas. É justamente essa hipótese que alguns pesquisadores chamam de “abertura parcial” ou “abertura enganosa”, em que parte das informações é tornada pública enquanto outra permanece inacessível.
Foi nesse contexto que Avi Loeb e Hal Puthoff participaram de uma entrevista para o canal do Youtube “Fresh Freedom”, no episódio 73: Science vs. Secrecy. Algumas das respostas de ambos chamaram a atenção, levando muitas pessoas a se perguntarem por que eles “soam tão protetores em relação ao passado do fenômeno ufológico”.
Durante a conversa, Avi Loeb afirmou que não acredita ser produtivo permanecer preso ao passado. Segundo ele, em vez de alimentar desconfianças ou acusar governos e burocratas de esconderem informações, sua impressão, após diversas conversas com pessoas envolvidas no tema, é que muitos deles também não possuem todas as respostas e continuam genuinamente perplexos diante do fenômeno.
Loeb defendeu que a sociedade deveria abandonar o passado e concentrar seus esforços no presente e no futuro. Para ele, este é um momento histórico que deve ser celebrado, pois representa uma oportunidade inédita de investigar os fenômenos de forma aberta e científica. Em sua visão, acreditar que o futuro pode ser melhor é justamente o que permitirá construí-lo de maneira diferente.
Essa posição, entretanto, desperta questionamentos entre diversos pesquisadores. Se realmente existirem informações importantes acumuladas ao longo de décadas, por que não investigá-las? Se houve erros, omissões ou políticas de sigilo no passado, seria possível construir um processo verdadeiramente transparente sem compreender como essa história foi construída? Para muitos, conhecer o passado não significa buscar culpados, mas entender o contexto que levou à situação atual.
Em seguida, Hal Puthoff apresentou uma visão parcialmente distinta. Embora concorde que o futuro pode, de fato, ser melhor, ele ponderou que isso só será possível se a humanidade aprender com os erros do passado. Segundo Puthoff, ignorar acontecimentos anteriores pode significar repetir equívocos que marcaram décadas de sigilo e controvérsias.
Na sequência, foi levantada uma preocupação recorrente entre pesquisadores: o receio de que um novo conselho de governança sobre os OVNIs/UFOs possa reproduzir o papel desempenhado pelo Painel Robertson, criado em 1953, frequentemente citado como um marco na política de minimizar e desacreditar relatos sobre UFOs.
Em resposta, Loeb argumentou que acredita que a situação atual representa um verdadeiro recomeço. Para ele, não se trata de uma operação para esconder novamente as informações ou empurrar o problema para debaixo do tapete. Embora reconheça que muitos permaneçam céticos, afirmou preferir aguardar os resultados antes de concluir que tudo seja apenas mais uma encenação.
Ao final da conversa, Hal Puthoff demonstrou otimismo ao afirmar que espera que as novas gerações de pesquisadores não precisem mais lidar com o chamado “programa legado” — uma referência aos antigos programas e estruturas associadas ao tema dos UFOs. Segundo ele, talvez, no futuro, as pessoas olhem para este momento como o ponto em que uma nova fase realmente começou.
O debate, porém, permanece aberto. Se um processo da Abertura realmente ocorrer, uma das maiores questões talvez não seja o que será revelado, mas o que continuará em sigilo. Para parte da comunidade ufológica, a credibilidade de qualquer abertura dependerá justamente da disposição de esclarecer também os acontecimentos históricos. Outros defendem que o mais importante é concentrar esforços na produção de novas evidências científicas, independentemente do que possa permanecer oculto.
Essa diferença de perspectivas ficou evidente na conversa entre Loeb e Puthoff. Enquanto Loeb propõe olhar prioritariamente para o futuro, Puthoff lembra que um futuro melhor depende, necessariamente, de compreender e aprender com os erros do passado. Talvez seja justamente nesse equilíbrio entre memória e investigação que esteja um dos maiores desafios da Ufologia contemporânea.
Assista à entrevista na íntegra:

